Se você já assistiu a um streamer de sucesso na Twitch, ouviu um podcast de renome mundial ou se perguntou como seus artistas de rock favoritos conseguem aquele som vocal quente e presente, há uma grande chance de você já ter visto e ouvido o trabalho de um ícone: o Microfone Shure SM7B. Com seu design inconfundível, corpo robusto e o característico windscreen de espuma cinza, este microfone não é apenas uma ferramenta de áudio; é uma declaração de intenção. É o sinal de que a qualidade do som é levada a sério.
Mas o que exatamente faz deste microfone dinâmico uma lenda viva? Por que produtores, engenheiros de som e criadores de conteúdo investem consistentemente neste equipamento, mesmo com tantas outras opções no mercado? A resposta vai muito além da estética. Envolve uma rica história, uma engenharia de áudio primorosa e uma versatilidade que poucos microfones conseguem igualar.
Neste guia definitivo, vamos mergulhar fundo no universo do Shure SM7B. Desvendaremos sua história, decifraremos suas especificações técnicas de uma forma que todos possam entender e, o mais importante, mostraremos a melhor forma de utilizá-lo para extrair cada gota de seu potencial sônico. Se você está pensando em adquirir um, ou se já tem um e quer ter certeza de que está usando-o corretamente, este artigo é o seu ponto de partida e o seu manual de referência completo. Prepare-se para entender por que o Microfone Shure SM7B não é apenas uma compra, é um investimento na sua voz e no seu som.
- Microfone Vocal Dinâmico com Controles de Bass Roll-Off e Presence Boost
- Tipo de microfone: Dinâmico
- Padrão Polar: Cardioide
A Linhagem de um Campeão: A História por Trás do Shure SM7B
Para entender a genialidade do SM7B, precisamos voltar no tempo. Sua história não começa com ele, mas com seus predecessores, que estabeleceram as bases para sua aclamação. A Shure, uma empresa com uma reputação inabalável na indústria de áudio, lançou na década de 1960 os microfones SM5 e SM57. O SM57, em particular, tornou-se um “canivete suíço” de estúdio, famoso por sua capacidade de gravar instrumentos de alta pressão sonora, como caixas de bateria e amplificadores de guitarra.
Os engenheiros da Shure notaram que as emissoras de rádio e TV estavam usando o SM57, mas precisavam de algo mais. Eles queriam um microfone com uma resposta de frequência mais suave, melhor blindagem contra ruídos eletromagnéticos (o famoso “hum” gerado por monitores de estúdio e luzes) e um sistema de montagem mais robusto.
A resposta veio em 1973 com o lançamento do Shure SM7. O microfone foi projetado desde o início para a voz falada de alta qualidade. Ele possuía um som mais encorpado, uma blindagem superior e os inovadores switches de equalização na parte traseira, permitindo que os engenheiros ajustassem o som diretamente no microfone. O sucesso foi imediato no mundo do broadcast.
Avançando algumas décadas, com o feedback de estúdios de gravação, a Shure aprimorou o design. Em 2001, eles lançaram a versão que conhecemos e amamos hoje: o Microfone Shure SM7B. A principal melhoria foi a adição de uma bobina “humbucking” maior e mais eficaz, que praticamente elimina qualquer interferência eletromagnética, tornando-o perfeito para o uso próximo a equipamentos digitais.
Foi nos estúdios de gravação de música que sua fama explodiu. O produtor Bruce Swedien usou um SM7 original para gravar os vocais de Michael Jackson no álbum mais vendido de todos os tempos, “Thriller”. A capacidade do microfone de lidar com a dinâmica vocal de Jackson e entregar um som quente, claro e sem aspereza, o catapultou para o estrelato. Desde então, inúmeros artistas, de Anthony Kiedis (Red Hot Chili Peppers) a James Hetfield (Metallica), usaram o SM7B para seus vocais.
Com a ascensão da era digital, os criadores de conteúdo descobriram o que os engenheiros de broadcast e de música já sabiam há décadas: o SM7B faz a voz soar incrível, com um isolamento que parece criar um estúdio particular ao redor de quem fala. E assim, uma nova geração solidificou seu status como o microfone preferido para quem leva a sério a qualidade do áudio.

Anatomia de um Ícone: Desvendando a Tecnologia do Shure SM7B
O visual do SM7B é imponente, mas é o que está dentro que realmente importa. Sua magia reside na combinação inteligente de princípios de áudio clássicos com engenharia focada na resolução de problemas práticos.
1. O Coração Dinâmico
O SM7B é um microfone dinâmico. Ao contrário dos microfones condensadores, que são mais sensíveis e captam mais detalhes do ambiente, os microfones dinâmicos são como tanques de guerra. Eles são menos sensíveis, o que, neste caso, é uma enorme vantagem. Isso significa que o SM7B foca intensamente na fonte sonora que está diretamente à sua frente (sua voz) e rejeita ativamente os sons indesejados do ambiente, como o eco da sala, o barulho do ar-condicionado, o clique do teclado ou o zumbido do computador. Para a vasta maioria dos criadores que não possuem um estúdio acusticamente tratado, essa característica é a chave para um som limpo e profissional.
2. Padrão Polar Cardioide: O Foco Cirúrgico
O microfone possui um padrão polar cardioide. Imagine um campo de audição em forma de coração, com a ponta do coração apontada para você. O microfone “ouve” com máxima sensibilidade tudo o que está dentro desse coração (em frente ao microfone) e rejeita quase tudo o que vem dos lados e, principalmente, de trás. É por isso que você pode falar no SM7B em um ambiente relativamente barulhento e sua voz ainda soará isolada e em primeiro plano.
3. Resposta de Frequência Suave e os Switches de EQ
O Shure SM7B é famoso por sua resposta de frequência plana e suave, especialmente nos agudos. Isso significa que ele não exagera as sibilâncias (os sons de “S” ásperos) ou a estridência na voz, resultando em um som natural e agradável de se ouvir por longos períodos. É um dos motivos pelos quais ele é tão amado para podcasts e longas sessões de gravação.
Na parte traseira do microfone, você encontrará dois pequenos switches que oferecem controle de equalização integrado:
- Corte de Graves (High-Pass Filter): Este switch atenua as frequências mais baixas. É extremamente útil para eliminar ruídos de baixa frequência, como vibrações na mesa ou o “hum” do ar-condicionado. Também ajuda a controlar o “efeito de proximidade” (o aumento dos graves quando você fala muito perto do microfone).
- Aumento de Presença (Presence Boost): Este switch aumenta a sensibilidade nas frequências médias-altas. Isso pode adicionar mais clareza, definição e “brilho” à voz, ajudando-a a se destacar em uma mixagem de música ou simplesmente a soar mais nítida em uma transmissão.
4. A Necessidade de Ganho: O “Problema” que é uma Virtude
Este é o ponto mais crucial para qualquer novo usuário do SM7B. Devido à sua baixa sensibilidade (uma consequência de seu design robusto), o Microfone Shure SM7B precisa de uma quantidade significativa de ganho limpo para atingir um nível de áudio saudável. Estamos falando de +60 decibéis (dB) de ganho.
A maioria das interfaces de áudio de entrada ou intermediárias não consegue fornecer essa quantidade de ganho sem introduzir ruído (chiado). Conectar um SM7B diretamente em uma interface de áudio barata e aumentar o ganho ao máximo geralmente resulta em um som baixo e ruidoso, levando muitos iniciantes à frustração.
No entanto, essa baixa sensibilidade é precisamente o que o torna tão bom em rejeitar ruído de fundo. A solução não é trocar de microfone, mas sim usar a ferramenta certa para o trabalho: um pré-amplificador de alta qualidade ou um ativador de sinal.

O Guia de Uso: Como Extrair o Som Perfeito do seu Microfone Shure SM7B
Possuir um Shure SM7B é apenas metade da batalha. Usá-lo corretamente é o que separa um som bom de um som verdadeiramente profissional.
Passo 1: Alimentando o Monstro com um Pré-Amplificador
Como mencionado, o ganho é fundamental. Você tem duas opções principais:
- Interface de Áudio com Pré-amplificadores Potentes: Interfaces de áudio de gama mais alta, como as da Universal Audio, Apogee ou modelos superiores da Focusrite (série Clarett) e Audient, geralmente possuem pré-amplificadores embutidos capazes de alimentar o SM7B com ganho limpo.
- Ativador de Sinal (In-line Preamp): Esta é a solução mais popular e custo-efetiva. Dispositivos como o Cloudlifter CL-1 ou o FetHead são “ativadores de microfone”. Eles ficam entre o SM7B e sua interface de áudio. Usando o phantom power (+48V) da sua interface, eles adicionam cerca de +25dB de ganho ultra-limpo ao sinal do microfone antes que ele chegue à interface. Isso permite que você use o botão de ganho da sua interface em uma posição muito mais baixa e confortável, evitando o ruído do pré-amplificador da interface e obtendo um sinal forte e cristalino. O uso de um Cloudlifter com o SM7B é uma combinação tão comum que é quase considerada padrão.
Passo 2: Posicionamento, a Chave para a Intimidade Sonora
O Shure SM7B é um microfone de endereçamento frontal (end-address). Você deve falar diretamente na ponta dele, não na lateral.
- Distância Ideal: Aproxime-se. O ponto ideal geralmente fica entre 5 a 15 centímetros da grade do microfone. Falar de perto ativa o “efeito de proximidade”, que adiciona uma riqueza e um calor nos graves, dando à voz aquela sonoridade íntima e de rádio.
- Fora do Eixo (Off-Axis): Para evitar “plosivos” (os sons de “P” e “B” que causam um estouro no microfone), não aponte o microfone diretamente para a sua boca. Em vez disso, posicione-o ligeiramente para o lado, apontando para o canto da sua boca. Isso permite que sua voz entre diretamente na cápsula, enquanto o fluxo de ar dos plosivos passa ao lado.
- Use o Suporte Certo: O SM7B é pesado. Ele precisa de um braço articulado (boom arm) ou um pedestal de microfone robusto para ser posicionado corretamente e com segurança.
Passo 3: Domando o Vento com os Windscreens
O Shure SM7B vem com dois tipos de windscreen de espuma:
- O Windscreen Padrão (RK345): É o mais fino dos dois, pré-instalado no microfone. Ele é perfeito para a maioria das aplicações de estúdio, como gravação de vocais e locução em um ambiente controlado. Ele já oferece uma excelente proteção contra plosivos.
- O Windscreen “Rock” (A7WS): Este é o windscreen maior e mais grosso. Ele foi projetado para aplicações de fala em close-up extremo ou para situações que exigem máxima proteção contra o vento e plosivos. Se você gosta de “comer o microfone” (falar muito perto), este windscreen é seu melhor amigo, proporcionando um som quente e controlado.

Análise Completa: Prós e Contras do Microfone Shure SM7B
Nenhum equipamento é perfeito para todos. É crucial pesar os pontos positivos e negativos antes de fazer um investimento tão significativo.
Prós (Vantagens) | Contras (Desvantagens) |
Qualidade de Som Excepcional: Entrega um som vocal quente, suave e profissional, padrão da indústria. | Exigência de Ganho Elevado: Requer um pré-amplificador potente ou um ativador de sinal (custo adicional). |
Rejeição de Ruído Fenomenal: O padrão cardioide e a baixa sensibilidade isolam a voz do ruído ambiente. | Preço Elevado: É um investimento significativo em comparação com microfones de entrada. |
Construção Robusta e Durável: Construído como um tanque para durar uma vida inteira de uso intenso. | Peso e Tamanho: É um microfone grande e pesado, exigindo um pedestal ou braço articulado robusto. |
Versatilidade Incrível: Excelente para podcasts, streaming, vocais de rock, rap e até instrumentos. | Não é “Plug-and-Play”: Requer conhecimento básico sobre ganho, interfaces e cabos XLR. |
Recursos Integrados: Switches de EQ e um sistema anti-vibração (shock mount) interno muito eficaz. | Menos Detalhe nos Agudos Extremos: Como um microfone dinâmico, pode não capturar os “ares” e detalhes mais sutis que um condensador de alta qualidade capturaria. |
Legado e Valor de Revenda: É um clássico atemporal que mantém seu valor ao longo do tempo. |
FAQ – Perguntas Frequentes sobre o Shure SM7B
Aqui estão as respostas para algumas das perguntas mais comuns sobre este microfone lendário.
1. Eu realmente preciso de um Cloudlifter ou FetHead para usar o SM7B? Na maioria dos casos, sim. Se você possui uma interface de áudio de entrada ou intermediária (como as séries Focusrite Scarlett, PreSonus AudioBox ou Behringer UMC), você se beneficiará enormemente de um ativador de sinal. Ele tornará seu fluxo de trabalho mais fácil e garantirá um sinal limpo e forte. Se você já tem um pré-amplificador de estúdio de alta qualidade ou uma interface de ponta, pode não ser estritamente necessário.
2. O SM7B é uma boa escolha para um quarto ou sala sem tratamento acústico? Sim, é uma das melhores escolhas possíveis. Sua capacidade de rejeitar sons fora do eixo e ruído de fundo o torna ideal para ambientes acusticamente imperfeitos. Ele ajuda a mascarar muitos dos problemas de eco e reverberação que um microfone condensador sensível captaria implacavelmente.
3. Qual a diferença entre o Shure SM7B e o Shure MV7? O Shure MV7 é o “irmão mais novo” do SM7B, inspirado nele. A principal diferença é a conectividade: o MV7 é um microfone híbrido, com saídas USB e XLR. Isso o torna muito mais amigável para iniciantes, pois pode ser conectado diretamente a um computador. O SM7B é puramente analógico (apenas XLR) e possui componentes de qualidade superior, oferecendo um som ligeiramente mais rico e natural. O MV7 é uma alternativa fantástica e mais acessível, enquanto o SM7B continua sendo o padrão profissional.
4. O Microfone Shure SM7B é uma boa opção para iniciantes? Depende. Se o “iniciante” está disposto a aprender sobre a cadeia de sinal (microfone > cabo XLR > pré-amplificador/interface > computador) e está disposto a fazer o investimento adicional em um ativador de sinal, então sim. Ele oferece um som profissional desde o início. No entanto, para quem busca uma solução simples e “plug-and-play”, um microfone USB como o Shure MV7 ou o Rode NT-USB+ pode ser um ponto de partida mais fácil.
5. O investimento no Shure SM7B realmente vale a pena em 2025? Absolutamente. O SM7B é um clássico atemporal por um motivo. É um equipamento “compre uma vez, chore uma vez”. A qualidade de construção garante que ele durará décadas, e seu som característico nunca sai de moda. Em um mundo inundado de conteúdo, ter um áudio impecável é um dos maiores diferenciais. O SM7B não é apenas um microfone, é um investimento em profissionalismo que paga dividendos na qualidade percebida do seu trabalho, seja ele um podcast, uma música ou uma transmissão ao vivo.
Conclusão: Mais do que um Microfone, um Parceiro de Carreira
O Shure SM7B conquistou seu lugar no panteão dos equipamentos de áudio lendários. Ele é uma ferramenta de precisão, forjada pela história e refinada para as demandas do criador moderno. Embora seu uso exija um pouco mais de conhecimento e investimento inicial em comparação com soluções mais simples, o retorno é imensurável.
Ele oferece a tranquilidade de saber que o seu áudio será sempre claro, profissional e isolado, permitindo que você se concentre no que realmente importa: sua mensagem, sua música, sua arte. Ao escolher o Microfone Shure SM7B, você não está apenas comprando uma peça de metal e circuitos; você está adquirindo um parceiro de confiança que elevará sua produção a um novo patamar e servirá fielmente por muitos e muitos anos.
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Arthur Martins é o fundador do Microfone Certo e especialista em equipamentos de áudio. Com anos de experiência prática, sua missão é analisar e simplificar o universo dos microfones, ajudando você a fazer a escolha certa para suas gravações, transmissões ou projetos.